14 de jun. de 2013
Poema protesto
Saí do papel branco pautado
e pautei as ruas da Cidade
com as cores do meu verso de revolta.
Eu era um poema e cabia num livro,
arquivo doc. ou pdf.
– tanto faz –,
pois já não caibo mais
em quase lugar nenhum.
Agora tanto faz tudo,
porque eu deixei de ser mudo e fui
pra rua mostrar ao mundo
que a vida é mais do que eu sou.
Borracha não me apaga.
Gás não me sufoca.
Eu sou a letra sem forma
Da mentira que me escreveu.
Borracha não me apaga.
Gás não me sufoca.
Eu sou a escrita nova
da verdade que eu conquistei.
26 de jul. de 2012
Meio-céu
para
Natália Parreiras
todo poema é nada
ante o céu claro
que te aguarda em dia
para
trazer tudo meu
que eu
larguei contigo:
todas as minhas noites
em claro
todos os tombos, tratos
e pedidos.
até a metade
do meu céu
ou a
metade
da tarde
do galo
da rua,
a metade
nua de mim.
todo verso é a metade
do verso remetido a ti
todo tempo é a metade
do tempo
que roubastes
todo poema é a metade
do poema que seria
ou a metade
do passo
do posso
do para
a metade
sua de mim.
nem todo começo
termina no fim
porque
nem tudo começa
onde se
pensa que sim
nem tudo completo
é poema
porque todo poema é nada
ante a metade do céu
existindo em ti.
2 de jun. de 2012
Para Nikos Kazantzákis
Marquei a liberdade
no meu corpo
para deixá-la em mim
sem q'eu me deixe,
para fazê-la minha
sem q'eu me tenha,
para querê-la assim
como eu me quis,
para esquecer de mim
sem q'eu me perca.
Para saber a beleza de todas as coisas
e das fragilidades
e das levezas
do amor natural
presente em todas as coisas,
presente em todos os seres,
em todos os braços,
calos, corpos e cabeças.
Para ser vivo todos os dias
todos os dias - mesmo que morto -
vivo nos presentes,
nos amores,
nos livros
e nas marcas q'eu deixei
graças à liberdade
q'eu marquei em mim.
5 de fev. de 2012
Construção civil
Nem
as colunas jônicas
Dos
templos perdidos
Podem
sustentar a vida,
Tampouco
os Mênades
Ou
as bruxas de Circe,
Os
seguidores de Apolo
E
quem clama por Hera.
Constrói-se
tudo
Para
que não desabe.
Mas
só o poeta faz
O
que faz visando os cacos,
As
pedras e a poeira
Que
nascem plenas da sujeira
Desmoronada.
24 de dez. de 2011
Telas
eu que te conheci
hoje só sei
do seu rosto pelas
fotos do seu facebook.
e quem acredita
nos caminhos
e tropeços pelos caminhos
que passamos.
nas flores e nos perdões,
eu te dei e te pedi.
mas tudo hoje parece virtual
até seu cheiro é megapixel
e o brilho dos seus olhos
eu configuro pela
tela led 15,5 polegadas
do meu notebook sony vaio
branco intel core
windows 7.
o meu olhar
é a tua web cam.
A imagem é de Valeriy Skrypka.
31 de ago. de 2011
De: Dênis Rubra
Enviada em: domingo, 01 de janeiro de 2012, 00:01
Para: Leitor
Assunto: Re: Cadê o poema?
Enviada em: domingo, 01 de janeiro de 2012, 00:01
Para: Leitor
Assunto: Re: Cadê o poema?
é
que cês sabem, né?
o
tempo tá corrido
muita
coisa
muito
trânsito
e
aí, leitor
fiquei
sem tempo
pra
escrever
deixa
pra próxima, belê?
um
abraço,
dênis
rubra.
31 de jul. de 2011
pernas
chegou a perna que partira
no verão que passou
a perna que correra
escorrida e corriqueira
e como o vento dançou
a perna cabreira do cabrito que berrou.
parta, perna
que é de tua natureza
espantar a natureza
com o que de ti ficou.
saiba, perna
que a velha natureza
renova a natureza
com o que com ti partiu.
perna podre
não se esqueça
que se esquece
que quem vai vai
para a puta que pariu.
29 de jul. de 2011
incompletudes
ora bolas quanto
pode ser o que não
é sendo simplesmente assim
e sendo tento plenamente
incompleto ser,
não sendo quando.
ser é não ser
e eu sou enquanto
clariceio
dilemas vis shakespearianos
em vida justa mas tão justa
que não me cabe, e me desboto
pra ficar nu a costurar
uma vida sob medida
e vestir-me todo
de incompletude.
7 de jul. de 2011
estações
7 horas. cama-mesa. note que o
note se ligou. corredor. a porta do banheiro se abriu. a face ante o espelho
reconhece. conhece-esquece-escova. volta. abre imutável o armário que vê. veste
sem vê uma roupa que se mostre fácil. jeans. o botão da camisa se fechou. e o
note ligado se abriu. navegador. abre imutável o e-mail que lê. lido. botão-elevador-botão-porta-chico-botão-porta-calçada.
cigarro-472-cigarra. calçada-portão-chico-crachá-botão-elevador-botão-porta. 10
horas, e o tempo se passou. e o tempo se repetiu.
repetição. 14 horas.
escada-escada-corredor. arroz-feijão. oi-olá-cigarro-tchau. botões.
de repente, é a gente o teclado
que escreve na tela aberta pelo computador. de repente, é a gente o chão pisado
pelo corredor. de repente, é a gente o paralelepípedo marcando a calçada. é a
gente o agente da passiva do mais que perfeito, de repente. é o cigarro que te
fuma, o botão que te aperta. de repente, azar do espelho que te quebrou. de repente,
a perfeição se confundiu, errou de estação e partiu daqui prouto lugar.
28 de jun. de 2011
há poema
há também poema
onde não há poeta
onde não há cidade
musa inspiração.
há poema no silêncio
na ausência de poema
na ausência da licença
poética onde não há
porquê se limitar
ou pedir espaço
para a falta do que não há.
para a falta do poema
que deixa de falar
do poema que não é poema
da cidade que não é cidade
da musa mousse de tristeza
da inspiração onde não há
poema que há de ser
fuga realidade.
há também poema onde não há
mas se não há não há
ah, caralho, confusão
poema que é poema não sabe falar
não sabe ser poema no que há
sabe ser poema no que não há
no que há de ser poema está
a fuga do há que será
ou não será?
19 de jun. de 2011
repetira
ei poeta
de tantos suspiros
do beijo
de mais de mil anos
os efeitos
- seu verso tardio -
não servem mais aos meus planos:
your old time
cry and prize
curious eyes
nothing couldn't be cool
if you are the same trash.
ora, viu vinicius
e os suspiros de moraes
em face daqueles ais
só resta reinventar
a natureza do amor
vai se perder numa canção
de suspiros
e suspiros
mais suspiros:
ai repetição
ei poeta
de tantos suspiros
do beijo
de mais de mil anos
os efeitos
- seu verso tardio -
não servem mais aos meus planos:
your old time
cry and prize
curious eyes
everything couldn't be cool
if you is the same trash.
ora, veja vinicius
e os suspiros de moraes
em face daqueles ais
só restou reinventar
a natureza do amor
que se perdeu numa canção
de suspiros
e suspiros
mais suspiros
ai ai.
de tantos suspiros
do beijo
de mais de mil anos
os efeitos
- seu verso tardio -
não servem mais aos meus planos:
your old time
cry and prize
curious eyes
everything couldn't be cool
if you is the same trash.
ora, veja vinicius
e os suspiros de moraes
em face daqueles ais
só restou reinventar
a natureza do amor
que se perdeu numa canção
de suspiros
e suspiros
mais suspiros
ai ai.
15 de jun. de 2011
pqp
nunca soube não sei
não digo dizer segredo
o canto da sereia em comum
ulisses quem soube sem medo
não digo eu não posso mas grito:
oi solidão de cabrito
o medo de dublin partiu
foi pra grécia da pqp.
24 de mai. de 2011
black e berre
o poema está em qual das faces do papel
das telas dos vidros dos fatos.
o poema black berra
ante o marasmo dos tempos
vire a esquerda
acredite nos jornais
acredite na vida
neste mundo tablet.
só o poema ensina:
felicidade infinita
não cabe
no mendigo sem perna na esquina
no encosto da via dos carros;
só o poema ensina
às telas dos vidros dos fatos
e o mendigo sem perna na via
perdido na face dos fatos,
qual face mentira fragmento
do poeta mendigo do tempo.
zuckerberg me seja gentil
dá-me a senha da face dos fatos.
17 de mai. de 2011
poeta ao mar
e a tempestade
de verso e fuga
e a marisia
da orla muda
ao menos sabe
a calmaria
das ilusões
nada poeta,
que todo poeta,
involuntário se entrega
de cabeça aos tufões.
9 de mai. de 2011
a mariposa na sala de aula
o ópio do poeta passou
camões quem sabe passará
o quadro negro embranqueceu
osama, pobre, foi pra lá.
poderia até não existir
a calcinha rosa da menina à frente
mesmo castro não sabia
dessa gente, do carnaval.
dezenove não é vinte nem vinte um
cada tempo no seu século secular
quanta margem, quanto segredo
não se pode mesmo afirmar?
só a mariposa em seu sossego
voa livre
até morrer.
6 de mai. de 2011
papel-poema
como pôde a sua mão multiplicar
o cabelo pairar sobre a cabeça alheia
onde estou
onde estás?
estarão por acaso os meus fios
na pele de suas faces negras?
se há por aí os meus dedos,
por aqui
o que flui agora nas veias?
o poema de tão muito perdido
fez-se tanto mas repentino
num papel que rasgou-se de espanto.
2 de mai. de 2011
entardecer
a lagoa nadou
sobre nós
como brilhávamos
sobre o sol ofuscado
do entardecer
é tarde
para as tardes
no arpoador
é tarde
e o amanhã
se esqueceu
nas tardes
a lagoa se afogou,
morreu
o que nos fez nascer
17 de abr. de 2011
Corda
acorde
na corda
bamba da
vida.
se jogue
simule
faça, e cure,
ferida.
pule
da corda
firme da
esquina.
se cale
se fale
se ame
esqueça
se lembre
se came.
acorde
na corda
bamba da
vida
se deixe
não queira
se queira
se viva.
se foda
e fode
num fode,
querida.
e goze
acorde
na cama
da vida.
e chore
se pode
chorar
na avenida.
e chore
se mate
esqueça da
vida.
e volte
acorde
na corda da
vida.
e vide
a corda
que rege
a vida.
se bambe
se baste
se jogue
pra cima.
se vire
arranque
um pedaço
da vida.
se jogue
mergulhe
se afogue
e pare
respire
se sinta
querido.
se queira
não queira
da vida
o infinito.
se finde
entenda
que o fim
é finito.
se guarde
se corde
se bambe
acorde
na corda
bamba da
vida.
3 de abr. de 2011
Acordar
deixo às canções
o tom desesperado
das manhãs
e a desarmonia
dos lençóis.
o espelho a revelar-se
ante os olhos
- a se acordar -
deixo o som
da cama ruída
deixo os sonhos
que não sonhei, deixo até
aquela coisa inexplicável que enche a alma
no primeiro segundo de pesadelo
- que é não dormir -
devidamente vivo
para morrer
10 de mar. de 2011
Puta abandonada
nas mulheres, a resolução
é difícil, a execução é fácil
Lope Félix de Vega
Carpio
serei tua puta efêmera
cálice torto e vazio
teus dentes sujos não sabem
o quanto os meus seios mordidos
aguardam pelados os teus peludos
vadia tua e nua
meu cheiro fino se perde
ante teu gozo perdido
vago incompleta nas ruas
na ausência dos teus pedidos
posso vender minhas curvas
tento esquecer teus gemidos
não posso mais ser prostituta
se parei
e parei só na sua esquina
28 de fev. de 2011
Velório
pedido:
se eu morrer,
deixe meu corpo perdido
banhado no mar atlântico sul.
bóio livre
pelo oceano
me salgo todo
em pleno mar
a qualquer hora,
temperado
nado de volta
e grito
- não se
assuste:
oi,
voltei pra te buscar
17 de fev. de 2011
31 de jan. de 2011
Ou
ser
fraco
humano
forte
pronto
à
covardia.
a
vida em desengano
engana
a vida
ou
o
tempo, quando passa,
se
acovarda diante o precipício?
acerta
quem erra sabendo
que
no fim do penhasco
o
sol não brilha?
erra
quem acerta
o
mar na escuridão
da
orla muda?
ser
forte
humano
fraco
pronto
à
tentativa
a
vida engana o tempo
engana
a vida
ou
o
tempo é o criador
dos
precipícios?
acerta
quem pode
erra
quem quer
a
vida em perguntas
nunca
será exclamação.
25 de jan. de 2011
Aviso
É que eu preciso
dizer que te amo
Te ganhar ou
perde sem engano
Cazuza e Bebel
Boca travada
Peito em batida
forte.
A poesia agora
é manifesto.
O corpo há tempo:
apenas gesto
(que fala em prol
das cordas vocais)
Gesticulação
involuntária
Gritante o olhar
que
sem engano, perde
ou
sem engano, ganha
E dizer devagarinho
na batida
forte
do coração
em manifesto
poema e gesto
pela trava da boca
sem cor
pelo aviso gentil
gesticulado:
ei, o amor chegou.
17 de jan. de 2011
De amor e de esperança, a terra desce
o espanto geral da
nação
não é a solução.
é o brado retumbante
de um povo herói às
margens
de qualquer rio
transbordado.
é o sonho intenso, o
raio vívido
o amor e a esperança
em terra que desce.
é a grandeza pela
natureza
a beleza e força
espelhadas no futuro.
é o bosque, o campo
o seio da mãe gentil
encharcado
o berço sem qualquer
esplendor.
são os filhos do solo
símbolo de amor eterno
os que pedem a paz
agora, a glória como resultado.
o espanto geral da
nação
não é a solução
entre outros mil,
o filho que não teme a
morte
morreu sem ter tempo de
temer.
a solução,
brasil,
é querer.
12 de jan. de 2011
O grito
escrevo
um poema
que
me corte a garganta ao recitá-lo
e
sangre os ouvidos chegando ao fim
que
grite aos carros, da janela:
ei,
eu estou aqui!
a
última lembrança
o
derradeiro brilho no olhar
e
vida em pele, carne viva
que
possa dizer
(vocês
podem me ouvir!)
:ei,
eu estou aqui!
num
milésimo de segundo
tudo
vai, desmorona
vai,
fica o mundo
para
lembrar, relembrar:
ei,
eu estou aqui!
um
poema que habite a cidade vazia no mar
que
fale
sem
pestanejar
(eu
não pestanejo!)
:ei,
eu estou aqui!
o
pingo da garoa na Índia
a
formiga, incansável, a trabalhar
passarinho,
cante comigo
e
não desista!:
ei,
eu estou aqui!
alguma
palavra que faça ferida
que
cure os males - pseudo males -,
de
pseudo pessoas - em pseudo vidas -,
que
não enxergam,
(elas
não veem!)
:ei,
eu estou aqui!
a
vida em nuances percebidas
arte
em fluxo livre
em
fluxo pronto
em
voz gritante:
ei,
eu estou aqui!
escrevo
um poema
que
me escreve
25 de dez. de 2010
A saudade em três movimentos
I
manifeste-se
quem quiser saudade
quem quiser lembrança
ou por ânsia
conte o tempo em
segundos
segundo a ansiedade.
II
faz falta
não fazer
não estar
ser só
saudade grande,
pequena.
III
ginga.
corto pra esquerda
balanço a rede
golaço.
a distância
natural impedimento
anula um gol
que eu não marcava há
tempo.
minha trave
- meu travessão -
é tua ausência
desnecessária.
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