28 de fev. de 2011

Velório



pedido:
se eu morrer,
deixe meu corpo perdido
banhado no mar atlântico sul.

bóio livre
pelo oceano

me salgo todo
em pleno mar

a qualquer hora,
temperado

nado de volta
e grito
           - não se assuste:

oi,
voltei pra te buscar

17 de fev. de 2011

31 de jan. de 2011

Ou





ser fraco
humano
forte pronto
à covardia.

a vida em desengano
engana a vida
ou
o tempo, quando passa,
se acovarda diante o precipício?

acerta quem erra sabendo
que no fim do penhasco
o sol não brilha?

erra quem acerta
o mar na escuridão
da orla muda?

ser forte
humano
fraco pronto
à tentativa

a vida engana o tempo
engana a vida
ou
o tempo é o criador
dos precipícios?

acerta quem pode
erra quem quer

a vida em perguntas
nunca será exclamação.


25 de jan. de 2011

Aviso





É que eu preciso dizer que te amo
Te ganhar ou perde sem engano

Cazuza e Bebel



Boca travada
Peito em batida
forte.

A poesia agora
é manifesto.

O corpo há tempo:
apenas gesto

(que fala em prol
das cordas vocais)

Gesticulação involuntária
Gritante o olhar
que sem engano, perde
ou sem engano, ganha

E dizer devagarinho
na batida
forte
do coração
em manifesto
poema e gesto
pela trava da boca sem cor
pelo aviso gentil
gesticulado:

ei, o amor chegou.

17 de jan. de 2011

De amor e de esperança, a terra desce




o espanto geral da nação
não é a solução.

é o brado retumbante
de um povo herói às margens
de qualquer rio transbordado.

é o sonho intenso, o raio vívido
o amor e a esperança
em terra que desce.

é a grandeza pela natureza
a beleza e força
espelhadas no futuro.

é o bosque, o campo
o seio da mãe gentil encharcado
o berço sem qualquer esplendor.

são os filhos do solo símbolo de amor eterno
os que pedem a paz agora, a glória como resultado.

o espanto geral da nação
não é a solução

entre outros mil,
o filho que não teme a morte
morreu sem ter tempo de temer.

a solução,
brasil,
é querer.

12 de jan. de 2011

O grito




escrevo um poema
que me corte a garganta ao recitá-lo
e sangre os ouvidos chegando ao fim
que grite aos carros, da janela:

ei, eu estou aqui!

a última lembrança
o derradeiro brilho no olhar
e vida em pele, carne viva
que possa dizer
(vocês podem me ouvir!)

:ei, eu estou aqui!

num milésimo de segundo
tudo vai, desmorona
vai, fica o mundo
para lembrar, relembrar:

ei, eu estou aqui!


um poema que habite a cidade vazia no mar
que fale
sem pestanejar
(eu não pestanejo!)

:ei, eu estou aqui!

o pingo da garoa na Índia
a formiga, incansável, a trabalhar
passarinho, cante comigo
e não desista!:

ei, eu estou aqui!

alguma palavra que faça ferida
que cure os males - pseudo males -,
de pseudo pessoas - em pseudo vidas -,
que não enxergam,
(elas não veem!)

:ei, eu estou aqui!

a vida em nuances percebidas
arte em fluxo livre
em fluxo pronto
em voz gritante:

ei, eu estou aqui!

escrevo um poema
que me escreve

25 de dez. de 2010

A saudade em três movimentos




I

manifeste-se
quem quiser saudade
quem quiser lembrança
ou por ânsia
conte o tempo em segundos
segundo a ansiedade.

II

faz falta
não fazer
não estar
ser só
saudade grande,
pequena.

III

ginga.
corto pra esquerda
balanço a rede
golaço.
a distância
natural impedimento
anula um gol
que eu não marcava há tempo.

minha trave
       - meu travessão -

é tua ausência desnecessária.

1 de dez. de 2010

Lírica desalinhada




olhar verdeja
ante face a frente
em bocas desalinhadas.

e o peito seja
lembrança farta a fio
em mente apaixonada.

barato o carinho
em rosto raro
emprestado.

caro destino
crido em medo
sonhado.

wake up
to reality
mas o sonho não acabou.

blue sky time
and my prize
é estar contigo ao sul.

olhar verdejante
frágil sorriso
memorado.

bem vinda vida nossa,
não seja o tempo contado.

(o teu sorriso
[de menina]
é sorriso-felicidade)

24 de nov. de 2010

Redentor rendido




erros meus, erros seus e de Deus também
estupidez, um erro simplório
a bola da vez, enterro, velório
do banco do ônibus ao carro importado
teu filho morreu? meu filho também

Palavras Repetidas -  Gabriel O Pensador


salve o cristo redentor
não passe do ponto o pão
de açúcar.

e cante o galo
nas vielas de ipanema.

fiquem em paz as meninas
de copa.

a sala de estar
não deixe de estar
muito de bem conosco.

salve o espanto dos poetas
e o dom das musas cariocas
cariocas, brasileiras.

deixe acesa a loucura
dos loucos
os cafés praianos
os carros, só carros, sem fogo
e apagado o fogo em botafogo
ou inhaúma.

as mangas
da mangueira
intactas, estáticas, protegidas

e as espadas dos nossos padroeiros
santos ou orixás
em punho heróico pronto
redentores de um redentor rendido

e dos debaixo dele.
perda total, por todos os lados

7 de nov. de 2010

Dear diary




A Vinicius, Tom, Cazuza, Zeca, Ferreira e Carlos
                                                                           
hoje
vim para contar
a vida (menina)
não é fácil de levar
mas se a vida
é para valer
quem será meu saravá!

esta bossa
é canção de amor
sem nascimento silva
sem cristo redentor

o tempo não para
e o poeta dispara
como bala perdida
procurando uma direção

e por você
eu largo tudo
já que o meu canudo
não passa de inspiração

que fique o não dito
dito pelo o que digo
sem dizer de verdade
ao pé do seu ouvido

dear diary

hoje
vim para contar:

deixo a vida me levar
e
a deus agradecer.

stop

a vida parou
para esperar você.

23 de out. de 2010

Condições






São jorge por favor me empresta o dragão
Djavan


e se você, de repente, casar comigo
caso contigo

o nosso caso carinho
é mais que casual

e se você, de repente, me abraçar
eu te abraço

os meus braços são mais braços
nos seus braços

e se você, de repente, enxergar paixão em mim
eu me apaixono

meu coração é mais coragem
sem seus medos menina

nosso diálogo é mais monólogo
enquanto falas sou só poesia

este poema é mais segredo
enquanto escrevo és só distração

ou só malícia.

Condições


São jorge por favor me empresta o dragão
Djavan



e se você, de repente, casar comigo
caso contigo

o nosso caso carinho
é mais que casual

e se você, de repente, me abraçar
eu te abraço

os meus braços são mais braços
nos seus braços

e se você, de repente, enxergar paixão em mim
eu me apaixono

meu coração é mais coragem
sem seus medos menina

nosso diálogo é mais monólogo
enquanto falas sou só poesia

este poema é mais segredo
enquanto escrevo és só distração

ou só malícia

17 de out. de 2010

A evolução da vida





Entendas que de mim nada terás
Verás de mim o que pode negar um esperto rapaz
Pois se a vida muda, a vida mudou
E se não tive o que quis,
Não terás o que não mais lhe dou.

Saibas que dói querer dizer não
Dói também escrever feliz esta negra canção
Pois não terás de mim o que nunca pediu.
Não dançastes os vis batuques que fiz
E meu samba de amor não lhe serviu

Sem mágoa, tristeza ou rancor
O que passa, passou
E se a vida foi quem quis assim
Assim será a vida: eu aqui
Você longe de mim.

Preciso partir, a cerveja esquentou
Mas eu percebi, você não brindou

Levante seu copo e olhe pra cá
Veja este sorriso que partindo você me fez dar

Sem mágoa, tristeza ou rancor
O que passa, passou
E se foi você quem decretou o fim
Assim será a vida: eu aqui

Você longe de mim.












11 de out. de 2010

Dedicatória




Parei de dedicar poemas
para então dedicar minha vida.

Aprendi que não se dedica
o que não quer ser dedicado.

Agora, para agradar o tempo
resolvi prometer sorrisos.

É mais fácil promoter sorrisos
do que chorar ou fazer chorar.

Não dedico mais poemas
nem dedico mais a vida.

Minha dedicação agora é não dedicar.



30 de set. de 2010

Num dado momento


Poema rascunho pelo
verso enterrado

Ponto (,) final num
dado momento:

o pulmão
duas mãos
(quatro)
o olhar
o ar
vários carros

num
dado momento
o poema em
terra(do)

ponto agora pingo
de um -i
maiúsculo inicial:
-Interesse

um novo período em construção
um novo rascunho
pelo punho aberto num

dado (e recebido) momento.

19 de set. de 2010

Humano em versos




Se fosse eu a minha poesia

Que felicidade teria!

Ao me declamar você com lindo sorriso
Ao me tocar você folheando-me

Que felicidade teria!

Ao penetrar sutil o teu coração
Ao existir em letras por tua inspiração

Que felicidade seria!

Se fosse eu muito mais que poeta
Se fosse eu humano em versos

Nas estrofes da tua poesia
Que felicidade seria!


(por Dênis Rubra)

10 de set. de 2010

Praça Pio Dez




Praça Pio Dez
Mergulhado às águas
                                   chafariz
Dez vezes caminhado
Calado
             feliz sem pio algum
Pensei cá comigo:

Não te quero Praça

Santidade ignorada
Visto o mar da Guanabara
Sou peixe novo a descobrir
Que o mundo é mais que continente
E o mar feito de Contini

Sou sambista bamba de uma roda
                                                       roda a saia da mulata
Roda a roda à vida
Voltei do mar para dizer

primeiro:

O meu             se perdeu
             bloco
O meu Samba soou alto
Nesta praça, eu não danço mais
Sou mais o João Paulo

segundo:

               da    
A saia ro       da mulata
               da    
Tonteou meu coração

Por demais rodado
Sou pagão vil de um carnaval

Que só quer sambar na roda
Que só quer da roda
                                 a mulata
e da mulata
                    o samba.



(por Dênis Rubra)