25 de mai. de 2010

Transformação

A vida virou poesia
a vida se transformou num pedaço de papel
colado nas rosas que, chorando,
entreguei às suas mãos
E meu riso, tão sincero, se perdeu
aqui no espaço dessa cidade vazia:
na ponte não há mais carros
o cristo resolveu cruzar os braços
o pão de açúcar azedou
E eu vejo esse céu
a luz da cidade apagada
o mar congelado ao fundo
que não faz mais voar borboletas
Aqui no final de um corredor vazio
resta o espírito do nosso amor
resta o epitáfio inspirado pela eternidade
resta a esperança na ressurreição.
só peço que volte
antes um pouco de fevereiro
pois sem você não há carnaval.

29 de mar. de 2010

Viver vivendo

a vida resolveu
não resolver.
preferiu qualquer preferência
aleatória, quente, fria ou morna
não preferiu.
a vida decidiu não escolher:
as pessoas, os horários, os motéis
não escolheu.
entre o bem
entre o mal
e o que há de existente
a vida se torna viva
ou morta, como a gente presa
na afirmação
na resolução e na preferência.
(para muitos, é mais fácil morrer
que viver
assim, vivendo)

17 de mar. de 2010

A você, não dedico acrósticos
sonetos, nem uma trova qualquer.
Não trabalho poemas,
melodias, ou versos
(presos à tua maneira de inspirar).
Entre nós, há dedicações mais simples
menos literárias.
A você,
Só dedico minha vida, assim, naturalmente,
com ou sem poesia.

12 de mar. de 2010

Bossa Nossa

Ouça esta bossa velha
esse Tom musical de Jobim
o vinil por Moraes cantado.
Sinta a brisa praiana por décadas revividas.
A garota famosa encarnada
nas meninas de janeiro.
Sinta a letra ditada pelo sentimento,
ouça o surdo, o piano, o pandeiro.
Viva a bossa nossa, que é nova,
há muito tempo.

21 de fev. de 2010

Tempero

Som.

Mar aberto dos lagos salgados da região.

Regional.

Espaço fechado para dois corações.

A tua água doce

Deixou salgado o que, sem tempero,

não tinha gosto algum.

(por Dênis Rubra)

6 de jan. de 2010

Poetisando Tragos [2]

O olhar seguindo a lua da janela.
lua bela.
O vermelho do (no) teu quarto.
o teu abraço.
O vermelho do Marlboro red em maço.
em harmonia plena com o nosso odor:
o nosso amor.
(por Dênis Rubra)

13 de dez. de 2009

Poetisando Tragos

Cama:
eu, você,
o Marlboro light em box,
as cinzas no cinzeiro
seguindo a harmonia do nosso suor.
fumo a vida com você
até o ultimo trago.
por Dênis Rubra

4 de dez. de 2009

#63 - PC

Amigos, como sabem, em março, os poemas postados até aqui no blogue estarão no meu primeiro livro de poesias, que será lançado pela editora Multifoco. Logo começarei a postar informações sobre o livro e o lançamento.
Por hora, resolvi atualizar com um poema que, na minha opinião, diz muito sobre o nosso ambiente virtual.
Abraços e obrigado pela leitura.
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PC

Já não cuspo mais palavras

não toco mão no alguém.

Minha língua é digitada

Minha hand virou mouse.

Quando vejo,

web cam.

Quando falo,

reproduzo.

viajo o mundo estagnado

aqui sentado (na cadeira)

há vida e morte envolvida

entre o enter e o delete.

(vou te salvar nos favoritos)

(por Dênis Rubra)

28 de set. de 2009

# 62- Poetisando Figuras de Linguagens

- Já viu sol amanhecer na noite

E lua anoitecer no dia?

- Vi,

(quando você sorriu)

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Pode um coração amante

Viver dentro de um ser errante?

Pode um coração vivo

Morrer dentro de um ser pensante?

- Coração é metáfora, pra nossa "loucura".

(por Dênis Rubra)

27 de set. de 2009

# 61 - Poetisando Posses

Prenda tua boca,
na minha.
O céu do teu olhar,
no meu.
Faça do teu corpo,
o nosso.
Do meu suor,
o teu.
(Não há palavra possessiva,
que possua
o que o vida faz existir.)
(por Dênis Rubra)

21 de set. de 2009

# 60 - Poetisando Orlas

Você é meu Leblon, meu Ipanema. E quando a vida selar a beleza do nosso amor, o por do sol, no seu olhar, estará
no meu (no nosso) Arpoador.
(por Dênis Rubra)

19 de set. de 2009

# 59 - Poetisando a Serenidade Interior

Por trás dos meus olhos, Da cegueira incontrolada em que me encontro, Dos sorrisos indestrutíveis que sorrio. Dentro deste corpo, Que transpira a serenidade de um ar puro, Que respira um esforço descansado e prazeroso. Aqui nesses ouvidos, Que bailam sobre o Rock in Roll Da clássica música harmônica. Lá dentro de mim, Por trás de tudo que sou E de tudo que me faz estar como estou. Há uma energia autônoma Uma fisgada saudosa como a saudade Que, numa mutualidade nua, sinto De quem me fisgou.
(por Dênis Rubra)

10 de set. de 2009

# 58 - Poetisando Gêneros

Mulheres e suas bochechas rosadas.

Homens e seus ternos,

Suas gravatas.

Mulheres e suas nádegas pálidas.

Homens sob a posse do falo de suas almas.

Mulheres e seus sorrisos amarelados,

Braceletes prateados,

Os cabelos, ao vento, jogados.

Mulheres e...

Seus seios arrepiados.

Homens e seus pensamentos avermelhados

Os minutos atrasados,

Os cabelos, ao vento, jogados.

Homens e...

Seus deuses excitados.

Dois retratos de uma mesma sociedade

Que perdeu-se

Ao tentar se encontrar.

(por Dênis Rubra)

3 de set. de 2009

# 57 - Poetisando Manhãs

Faz o meu café, amor? Passa manteiga no pão (por favor) Passa-me o suco E o mel do teu corpo. Dá-me o doce provado Na mesa-cama da madrugada. Sinta a vida vivida No suor de nossas peles. Beba-me, meu bem. Nesse nosso vício em comum: A manhã precedida pelos abraços noturnos. Sucedida pela certeza que me acompanha: O desejo em lhe acompanhar.
(por Dênis Rubra)

31 de ago. de 2009

# 56 - Poetisando Singularidades

Toda essa preocupação com nada.

Fazer nada,

pensar em nada.

E eu aqui querendo tudo.

Todo esse preocupar constante e linear

E eu aqui querendo dar voltas no mundo.

Se bem que nada é melhor

que o quase nada.

É melhor não ir do que ir

e parar na metade.

Sabe, me sinto melhor ali:

No meu universo singular.

(por Dênis Rubra)

24 de ago. de 2009

# 55 - Poetisando Pés.

Jorram as palavras, as antigas letras cálidas da pedinte mente livre e do sentir do louco preso coração; juntos, os olhares - quatro espelhos da emoção - unidos, os dois pares distraídos, rumo à mesma direção. Que as tuas palavras jorrem Como as minhas jorraram para ti. Que os teus olhos - os nossos olhares - espelhem juntos o caminhar dos meus e dos teus pés. Assim a vida é mais feliz Assim a felicidade é mais viva e real.
(por Dênis Rubra)

13 de ago. de 2009

# 54 - Poetisando Faces

Olha para mim, camarada.

Vê esta face?

Ela chora.

Ela ri.

Mas não vive.

Morta, esquecida.

Ela não existe.

Esta face.

A que vês agora

É só instrumento de sobrevivência

De uma mente que possivelmente

Não pensa.

Não respira.

Apenas caminha em direção

Ao conhecido

(Ao desconhecido)

À redundância que é

A solidão da vida.

Perto, longe.

Cercada de corpos

Possuidores de faces como a minha

Como a nossa, camarada.

E assim nós vamos

Eu e você

Destinados a não viver

Mais do que o destino decidiu.

Decididos a sermos

Mais dois corpos

Mais duas faces

Nessa sociedade insocial.

(por Dênis Rubra)

9 de ago. de 2009

# 53 - Tempo é ...

Teu passado, presente e futuro

Entre pássaros, lírios e fontes

Misturam-se no choro e no riso

Presentes na tua vida e na futura morte

O que vês é só recordação

É no invisível que está à felicidade

.

.

.

(por Dênis Rubra)