Por trás dos meus olhos,
Da cegueira incontrolada em que me encontro,
Dos sorrisos indestrutíveis que sorrio.
Dentro deste corpo,
Que transpira a serenidade de um ar puro,
Que respira um esforço descansado e prazeroso.
Aqui nesses ouvidos,
Que bailam sobre o Rock in Roll
Da clássica música harmônica.
Lá dentro de mim,
Por trás de tudo que sou
E de tudo que me faz estar como estou.
Há uma energia autônoma
Uma fisgada saudosa como a saudade
Que, numa mutualidade nua, sinto
De quem me fisgou.
Faz o meu café, amor?
Passa manteiga no pão (por favor)
Passa-me o suco
E o mel do teu corpo.
Dá-me o doce provadoNa mesa-cama da madrugada.Sinta a vida vividaNo suor de nossas peles.Beba-me, meu bem.Nesse nosso vício em comum:
A manhã precedida pelos abraços noturnos.Sucedida pela certeza que me acompanha:O desejo em lhe acompanhar.
Jorram as palavras,
as antigas letras cálidas
da pedinte mente livre
e do sentir do louco preso coração;
juntos, os olhares
- quatro espelhos da emoção -
unidos, os dois pares
distraídos, rumo à mesma direção.
Que as tuas palavras jorrem
Como as minhas jorraram para ti.
Que os teus olhos
- os nossos olhares - espelhem juntos
o caminhar dos meus e dos teus pés.
Assim a vida é mais feliz
Assim a felicidade é mais viva
e real.
Eu precisaria dizer mil palavras
Falar do sol
Da lua
Ou do inferno.
Se meus desejos não coubessem
No silêncio da despedida
No instante do partir
Se os meus medos
E os meus sonhos
Não fossem (declaradamente)
seus.
(por Dênis Rubra)
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Poesia dedicada a alguém muito especial.
Ouça o silêncio da vozloucapurarouca.
Ouça...
E não deixe-a gritar sozinha.
Ouça...
E faça ecoar a loucura
Que emana dos meus desejos
calados,
p e r d
i d o s,
ACHADOS
s
o
f
r
i
d
o
s...
reveladoSAmedrontados...
o mundo se foi
o grito ficou.
(por Dênis Rubra)
Eu precisaria dizer mil palavras Falar do sol Cantar a lua Chorar o inferno.
Se meus desejos não coubessem No silencio, da despedida No instante, do partir.
S
Será que um dia
alguém irá querer
mergulhar no mar, que sou
e se afogar
e nunca mais enxugar seu corpo.
A pessimista intuição
diz que não.
A otimista opinião
não existe.
O que existe é um mar sem vento
sem ondas
sem vida para molhar
sem forças para viver.
O que não existe
é o que me torna o que sou:
um mar sem navegação
farto de naufrágios precoces.
Um mar prestes a secar
cansado de tanto esperar
por alguém que o faça ser...
Oceano.
Ver palavras
é ver o tempo
que não se apaga
que não desiste
perante os olhos
cegados pela surdez
que mata
o cego, surdo, morto...
enterrado,
entregado
ao veneno destilado
por palavras
(fúteis palavras)
Larguei o copo na mesa
E deixei de lado
Toda aquela preocupação
Em mergulhar no irreal,
Na insobriedade.
E vi que estar com você
É como beber três garrafas de uísque
E uma dose de conhaque.
Sem perceber
Que a realidade...
já passou.